Entrevista com Léo Bezerra

Em Agosto de 2016, após edital da Secretaria de Estado de Cultura, que qualificou Cabaret em segundo lugar, estreamos no Teatro Armando Gonzaga. Lá encontramos uma equipe admirável, ávida por ajudar e criar recursos para que nossa temporada fosse um sucesso. Esta foi minha primeira experiência como produtora em teatros, se todas as que vierem forem similares a esta, posso dizer que sou uma sortuda. Estreamos no mesmo dia em que as Olímpiadas! Medalha de Ouro para a Cultura, pois não deixamos de fazer uma única sessão.

E vamos bater um papo agora com a Diretora deste teatro Léo Bezerra

AnaLu:  Léo, há quanto tempo você está na gestão do Armando Gonzaga e fica até quando?

Léo: Estou no teatro desde de 2011(5 anos) e fico até a Funarj me exonerar, rs.

AnaLu: O projeto arquitetônico deste Teatro foi realizado por quem? E há quanto tempo ele existe?

Léo: Por Affonso Eduardo Reidy, jardins de Burle Marx e painéis laterais de Paulo Werneck. O tombamento do teatro foi realizado pelo
Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) em 1989. O teatro foi inaugurado em 19 de abril de 1954.

AnaLu: Ao filipetar em frente ao Teatro senti que ele faz parte, que está efetivamente inserido no cotidiano daqueles que passam em sua calçada. Os transeuntes param, leem o banner, enfim, dialogam com este equipamento cultural. Como é a relação do Teatro com a comunidade? Há cursos, oficinas, palestras realizadas por moradores daqui?

Léo: Venho tentando fazer um trabalho corpo a corpo com a comunidade, pois eles não têm o hábito de frequentar o teatro, é um trabalho lento (digamos de formiguinha), mas aos poucos estão vindo. Colocamos várias atividades - dança de salão, zumba, capoeira, são alguns exemplos. A procura foi muito pouca, por isso  não demos continuidade. Mas oferecemos o curso de teatro adulto nas noites de quarta-feira, e infantil aos sábados pela manhã. Ambos com grande sucesso, e os alunos são da comunidade.

AnaLu: Sabemos que o teatro brasileiro está sempre investindo em formação de plateia. Quais são as ações que você acha que funcionam e o que mais você pensa a respeito deste tema?

Léo: Essas ações são validas e poderiam ser um grande sucesso desde que as produções tivessem um patrocinador, porque as maiorias dos produtores se recusam a praticar esse tipo de ação alegando que vão perder dinheiro de bilheteria. Muitos preferem ficar com o teatro vazio do que oferecer convites de formação de plateia. Desenvolver essa formação deveria contar também com a participação das escolas da rede pública.

AnaLu: O que você acha que interessa ao público do Armando?

Léo: O público de Marechal é voltado para comédia e shows.

AnaLu: O que você gostaria de ver acontecer no Armando ainda na sua gestão?

Léo: Uma frequência maior da comunidade e ações sociais efetivas para que não tenhamos moradores de rua no entorno do teatro.

AnaLu: Você conta com uma equipe de trabalho que ama o que faz. E isso não é pouco. Mas ainda podemos assomar a isso a qualidade técnica da sua equipe. Como você a formou? A quanto tempo estão juntos?

Léo: Trabalhei em todos os teatros da Prefeitura durante 20 anos, conheci o Anderson na Sala Baden Powell, em 2003, quando ele foi contratado para trabalhar na limpeza. Bati o olho e vi que esse menino tinha futuro só lhe faltava alguém que acreditasse e lhe desse oportunidade.  Na época tínhamos um excelente técnico de som, Roni Vilanova. Conversei com ele e pedi que nas horas vagas fosse treinando o Anderson para ajudá-lo no som. Na época só tínhamos um técnico para cada função e programações de segunda a segunda. Foi perfeito, um belo dia o Roni passou mal e não pode vir trabalhar. Imagina quem estava em cartaz? Débora Falabella! Com o espetáculo Nuvens Brancas, não pensei duas vezes e decretei: - hoje você vai operar sem a produção saber!
Ele operou, deu tudo certo. Depois a Débora soube e exigiu que ele operasse durante todo o resto da temporada.  
Hoje o Anderson é um grande técnico de som e desde então não abro mão dele. Produzi grandes espetáculos, musicais como "Miranda por Miranda" e tantos outros mais, sempre com ele como operador.

Marcelo conheci em 2004, quando fui transferida para o Teatro Carlos Gomes. Ele já era funcionário, trabalhava como eletricista de manutenção. Percebi que ele tinha um grande interesse em iluminação aí resolvi investir. O que também deu certo, hoje em dia ele e Anderson somaram experiências. Tanto um quanto o outro, criam, operam, com qualidade, luz e som.

Alan é o mais novo exemplo de quem tem futuro e vai longe. Um jovem que tem a mesma história do Anderson. Foi contratado para serviços gerais e está se desenvolvendo na área técnica. Marcelo e Anderson estão juntos há treze anos, e Alan está aqui há quatro.

AnaLu: Quais as entidades do entorno que trabalham junto a vocês?

Léo: Temos um diálogo com o Diário de Marechal, que nos apoia divulgando nossa programação, e com alguns grupos de teatro infantil da própria localidade também. Mas o bairro possui muitas escolas das redes municipal e estadual que poderiam ter uma relação mais estreita com o teatro.

AnaLu: Qual a peça que mais fez sucesso aqui?

Léo: “Nós Sempre Teremos Paris” com Françoise Forton e Aloísio de Abreu.

AnaLu: Há alguma comunicação entre o Teatro e as escolas de formação de profissionais de teatro? O que seria possível fazer para estreitar estas parcerias?

Léo: Nossos professores dos Cursos de Teatro são da equipe da FAETEC. Alunos de lá escolhem o teatro para visitas técnicas e em trabalhos de conclusão dos cursos de lá.

AnaLu: Como é a temporada das peças infantis? A presença do público é maior?

Léo: Infantil costuma a ter boa aceitação no TAG.

AnaLu: Ao lado do Teatro tem uma igreja, em frente tem um hospital, ele mesmo está localizado em uma praça... No que esta diversidade ajuda e no que ela atrapalha?

Léo: O cenário é realmente diverso e curioso. A igreja tem seu papel de acolher em torno da fé; profissionais do hospital sempre encontraram portas abertas no TAG até mesmo para a realização de palestras. Mas o teatro como elemento de integração entre as pessoas acaba tendo respostas muito tímidas. As lideranças só o enxergam como espaço físico disponível para suas demandas pontuais, não veem o quanto uma parceria poderia ser vitoriosa. Aos fiéis e pacientes ir ao teatro deveria ser mais estimulado.

AnaLu: Tem algo mais que você queira compartilhar conosco?

Léo: Convido a todos para curtirem nossa página no Facebook teatroarmandogonzagamarechalhermes