A Teatralidade em "Alice Através do Espelho"

A Teatralidade 

por AnaLu Palma

 

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Este espetáculo da Armazém Cia de Teatro oferece ao espectador aquilo que há de mais teatral. Parece redundante, mas explico. Cada arte traz em si exigências próprias. Com o teatro não é diferente! Essas exigências são diversas e aqui vamos ressaltar algumas.

A primeira é no tocante ao próprio tema e sua abordagem: aquilo que conhecemos como real é reduzido em favor de uma linguagem mágica e estética. O corriqueiro é banido para dar vez ao sonho e à ilusão.

O espaço da encenação é montado e remontado, através de cortinas que se abrem e fecham redefinindo os lugares das cenas. Mesmo quem conhece a edificação do teatro do Armazém se surpreende com tantas possibilidades.

Os elementos cênicos surgem de lugares inesperados e propõem experiências incomuns, como no caso de o público atravessar o espelho e descer por um escorrega, indo desembocar em outro espaço.

O figurino é lúdico. As personagens são estranhas e imprevisíveis e capazes de nos retirar do lugar comum. As situações que se seguem são desprovidas de lógica cartesiana, muito embora estejam absolutamente bem estruturadas dentro da engrenagem. É uma “polifonia significante aberta sobre o espectador”, como diria Roland Barthes. É uma linguagem contagiante que estimula a nossa imaginação, digo eu. 

O Armazém nos leva ao prazer ao chamar atenção para os recursos próprios do teatro! Revela com propriedade tanto o artifício das cenas como o caráter de jogo entre os atores, elementos que correspondem ao ápice da teatralidade a meu ver.